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    Cronologicamente, o Surrealismo é o último movimento da   vanguarda européia. Surgiu em 1924, tendo André Breton como seu mentor. O Surrealismo cresceu diretamente do movimento conhecido como Dadaísmo, um movimento literário que reflete o protesto niilista, contra todos os aspectos da cultura ocidental. Como o Dadaísmo, o Surrealismo infatizou o papel do inconsciente em atividade criativa, mas empregou o psíquico inconsciente de maneira mais ordenada e mais séria.

    Assim que se instalou, em 1922, no atelier da Rua Fountaine, que viria a ser o quartel-general do Surrealismo em Paris, André Breton orientou as pesquisas do grupo para a "escrita automática" , método que Soupault e ele próprio tinham utilizado para compor Les champs magnétiques (1920). Este método consistia em escrever sem emendas ou qualquer controle da razão, e o mais rapidamente possível, o que se passa no espírito quando nos conseguimos libertar suficientemente do mundo exterior.

    A finalidade desse exercício era pôr a descoberto a "matéria mental" comum a todos os homens, independentemente do pensamento, que é apenas uma das suas manifestações. No tempo em que era estudante de medicina e interno do  Centro Neurológico de Nantes, Breton interessava-se já pelos meios de renovar a psicologia, partindo de dados da psquiatria. Quis fazer da linguagem poética uma exploração do inconsciente, baseando-se nos trabalhos de Freud, então desconhecida na França mas que ele admirava ao ponto de ter ido visitar a Viena (1921). Referiu-se igualmente aos sábios que, como Myers, Flournoy e Charles Richet, tinham estudado os estados de hipnose e de transe dos médiuns. Durante o "período dos sonos", começado sobre o incitamento de René Crevel na casa de Breton, recolheram depoimentos de pessoas em estado de transe. Os desempenhos de Robert Desnos, herói deste período, mostram o emprego da escrita automática na pintura.

    Breton define o que entendia por Surrealismo: "Um certo automatismo psíquico que corresponde bastante bem ao estado de sonho, estado que é hoje em dia, bastante difícil de delimitar."

    O Manifesto do Surrealismo (1924) iniciou, o processo de atitude realista, no qual Breton mostrou as falhas na vida e na literatura. Entoava um hino de entusiasmo à imaginação, fonte de eterna juventude do homem, envergonhando os adultos por perderem com o tempo o poder de divertimento da infância: "É provavelmente a infância que mais se aproxima da "verdadeira vida"; a influência para além da qual o homem não dispõe, além do seu salvo conduto, senão de alguns bilhetes de favor...". Designava o maravilhoso como finalidade do movimento, de preferência um maravilhoso moderno, inspirado no simbolismo dos sonhos, cujo conteúdo latente a psicanálise revelou. O Surrealismo erguia-se contra o mundo das aparências, queria substituí-lo pelo mundo das aparições. Pretendia que nas obras surrealistas tomassem forma os desejos mais secretos da humanidade.

    O Surrealismo não é verdadeiramente o fantástico, é uma realidade superior onde todas as contradições que atormentam o homem são resolvidas "como num sonho".

    Você vai ler agora alguns fragmentos de manisfestos publicados em 1924 por Breton:

    1) As confidências dos loucos, eu passaria a vida a provocá-las. São pessoas de uma honestidade escrupulosa, e cuja inocência só é comparável à minha. Foi preciso que Colombo partisse com loucos para descobrir a América. E vejam como essa loucura se corporificou e durou.

    2) ...a atitude realista, inspirada no positivismo, de Santo Tomás a Anatole France, tem um ar hostil a todo arrojo intelectual e moral. Tenho horror a ela, pois é feita de mediocridade, de ódio e suficiência sem atrativo.

    3) Vivemos ainda no reinado da lógica, eis, bem entendido, aonde eu queira chegar. Mas os processos lógicos , de nossos dias, só se aplicam à resolução de problemas de interesse secundário.

    4) Se as profundezas de nosso espírito abrigam forças estranhas capazes de aumentar as da superfície, ou de lutar vitoriosamente contra elas, há todo interesse  em captá-las, em captá-las desde o início, para submetê-las em seguida, se isso ocorrer, ao controle de nossa razão.

    5) O sonho não pode ser ele também aplicado à solução das questões fundamentais da vida?

    6) Conta-se que, diariamente, na hora de adormecer, Saint-Pol-Roux mandava colocar sobre a porta de sua mansão de Camaret um aviso onde se lia: O POETA TRABALHA.

    7) ...o maravilhoso é sempre belo, não importa qual maravilhoso seja belo, nada há mesmo senão o maravilhoso que seja belo.

    8) Surrealismo, s. m. Automatismo psíquico pelo qual alguém se propõe a exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. Ditado do pensamento, na ausência de todo controle exercido pela razão, fora de qualquer preocupação estética ou moral.

 

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